DO BARROCO AO SIMBOLISMO
OBRIGADO PELA VISITA. AQUI VOCÊ ENCONTRA POESIAS DE GRANDES AUTORES DE DIVERSOS ESTILOS DE ÉPOCA DA LITERATURA BRASILEIRA. ESTA PÁGINA CONTÉM DESCRIÇÕES, BIOGRAFIA DE VÁRIOS AUTORES E UMA GRANDE AJUDA PARA QUEM IRÁ PRESTAR VESTIBULAR. CONFIRA! Verdade, Amor, Razão, Merecimento, qualquer alma farão segura e forte; porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte, têm do confuso mundo o regimento. Efeitos mil revolve o pensamento e não sabe a que causa se reporte; mas sabe que o que é mais que vida e morte, que não o alcança humano entendimento. Doctos varões darão razões subidas, mas são experiências mais provadas, e por isso é melhor ter muito visto. Coisas há i que passam sem ser cridas e coisas cridas há sem ser passadas, mas o melhor de tudo é crer em CRISTO. LUIS DE CAMÕES
Escrito por Leonardo Lopes às 11h31
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BARROCO
O Barroco: Espírito e Estilo Para se entender o significado literário do estilo barroco precisa-se, de início, ressaltar duas tradições: a tradição clássica – humanista, racionalista, universalista, quase geométrica em em termos de regularidade formal – e a tradição medieval – teocêntrica, sentimental, individualista, musical em sua arquitetura baseada em versos de cinco ou sete sílabas métricas (redondilha menor e redondilha maior). No século XVII ocorre uma espécie de “conflito” entre tais tradições: enquanto a burguesia mercantilista continuava tentando tornar leiga a cultura medieval, a Igreja procurava procurava reagir contra este pensamento burguês, e o fez através da “Contra-reforma” e da “Inquisição”. A expressão artistica desse conflito a cujas causas históricas nos referimos chama-se BARROCO. Especialmente na literatura, o Barroco é a contradição, a dualidade, a manifestação de dilaceramento existencial do homem do século XVII, dividido entre o humanismo da renascença e o teocentrismo medieval, entre viver voltado para a terra, o corpo, os prazeres e as paixões deste mundo, a ciência – e viver voltado para o céu – a precaridade de tudo o que existe neste mundo, a busca da salvação da alma, a necessidade de Deus e da eternidade. Um estilo no qual luz e sombra, materialismo e espiritualismo, racionalismo e irracionalismo se confundem e se interpenetram a ponto de provocar uma explosão artística de proporções gigantescas, inusitada. Portanto, para revelar o inconformismo e a inquietação do homem do século XVII, o Barroco criou novas formas, novos significados, ligados à tradição clássica mas ao mesmo tempo responsáveis pelo início do questionamento e da consequente transformação destas mesmas tradições. Em termos de “forma”, o Barroco caracteriza-se por um aprimoramento, uma espécie de “jogo de palavras e sensações” que revira a linguagem poética clássica, a que chama-se de “cultismo ou gongorismo”. Em termos de “conteúdo”, de significado, tem-se o “conceptismo ou quevedismo”, isto é, a sofisticação de argumentos, o caráter paradoxal, do jogo de idéias, os jogos de raciocínio, que predominam no conceptismo.* Os principais autores deste estilo de época foram: GREGÓRIO DE MATOS, conhecido como “Boca de Inferno” e considerado o maior poeta satírico da literatura brasileira, e PADRE ANTÔNIO VIEIRA, com sua oratória barroca que utilizava textos bíblicos como referencial, fazendo muitas vezes analogias com o cotidiano. POESIAS. SONETO Anjo no nome, Angélica na cara, Isso é ser flor, e Anjo juntamente, Ser Angélica flor, e Anjo florente, Em quem, se não em vós se uniformara? Quem veria uma flor, que a não cortara De verde pé, de rama florescente? E quem um Anjo vira tão luzente, Que por seu Deus, o não idolatrara? Se como Anjo sois dos meus altares, Fôreis o meu custódio, e minha guarda, Livrara eu de diabólicos azares, Mas vejo, que tão bela, e tão gualharda, Posto que os Anjos nuca dão pesares, Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda. (Gregório de Matos – Obras Completas) A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR Pequei, Senhor; mas não porque hei pecadoDa vossa alta clemência me despido, Por que quanto mais tenho de linquido, Voa tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a voz irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tenha para o perdão lisonjeado, Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na sacra história, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, Cobrai-a e não queirais, pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória. (Gregório de Matos – Obras completas) PROSA. SERMÃO DO MANDATO (fragmento) O primeiro remédio que dizíamos, é o tempo. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera? São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os Antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às cousas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não amar, e o Ter amado muito, de amar menos. (Padre Antônio Vieira – Sermões)*
Escrito por Leonardo Lopes às 11h28
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ARCADISMO
Arcadismo ou Neoclassicismo: Razão, Verdade e Natureza O Arcadismo surge como consequência da saturação do Barroco, do fato de ter se esgotado, de não corresponder mais às necessidades da expressão. Para entender esta transição, é preciso retomar a base histórica do conflito barroco: de um lado, os valores humanistas, racionalistas, representados pela burguesia mercantil. De outro, os valores religiosos, teocêntricos, defendidos pelo clero e pela aristocracia, que se ressentem da perda de poder e reagem incisivamente. Foi uma luta entre o “velho” (mentalidade medieval) e o “novo” (mentalidade classicista) – o “conservadorismo” – feudal e a inquietação “revolucionária” da burguesia. Foi o momento de “tensão” que antecedeu o momento de “distensão”, o momento de construção minuciosa das bases intelectuais que garantiriam vitória. “Iluminismo, ilustração, enciclopedismo” são as principais características culturais do século XVIII, o século das Luzes: nele a ciência moderna (por exemplo, a física de Newton, a psicologia de Locke) caminhou junto com o progresso (por exemplo, a energia a vapor, a industria têxtil inglesa), criando um sistema filosófico que pretendia modificar o mundo através da técnica e da ciência (iluminismo), uma ideologia baseada na razão como alicerce do bem estar coletivo (ilustração, enciclopedismo), o que traduzia a postura burguesa perante os abusos cometidos pela nobreza e pelo clero. Neste contexto, pode-se entender a distância entre estilo barroco e estilo neoclássico: o primeiro é crivado de incertezas, de desajustes, de descompassos. O segundo, por sua vez, instaura-se através da retomoda dos princípios artísticos da tradição clássica: o racionalismo, a mimese (imitação dos grandes autores classicistas), a ânsia de perfeição formal obtida pelo respeito ás convenções apolíneas, dentre as quais ressalta-se a presença da “mitologia clássica, o decoro e a simplicidade”. Sendo assim, observa-se que há uma coesão, uma coerência entre a literatura neoclássica e os valores racionalistas que se impuseram na Europa definitivamente a partir da segunda metade do século XVIII, o que dá ao “estilo neoclássico um tom pedagógico, uma preocupação de servir aos ideais burgueses”. Em comparação com este seu aspecto, deve-se ressaltar o “bucolismo”. Se de um lado a literatura neoclássica se compromete com a utilidade das mensagensa que expressa, de outro ela se utiliza do artifício da vida rústica, campestre, pastoril, para se tornar agradável ao leitor, para lhe proporcionar o prazer da fantasia, longe da agitação da vida urbana. Observa-se que estes dois lados se completam e se interpenetram, na medida em que ambos têm como fonte a sabedoria clássica, quer dizer, ás “convenções” literárias que dela resultaram: equilíbrio, harmonia, simplicidade, beleza natural, verdade. Pelas razões mencionadas, são as seguintes as principais convenções ou posturas literárias do Neoclassicismo ou Arcadismo: - “aurea mediocritas”: viver harmoniosa e medianamente, sem cometer excessos - “ fugere urbem”: fugir da cidade, preferindo a vida simples, ingênua e inocente, em contacto com o campo (daí o bucolismo, o cenário campestre, e o pastoralismo: os poetas usando pseudônimos de pastores antigos e idealizando pastores da mitologia clássica como musas de seus poemas) - “inutilia truncat”: cortar o que é inútil, ou seja, realizar as sugestões clássicas de pureza de expressão, correção, siplicidade, contra os excessos do Barroco. Esquematizando, trata-se de “unir o útil ao agradável”, como queira o mestre latino Horácio, ou “de unir a razão à natureza”, a preucupação francesa com o caráter Iluminista da arte (o útil, a razão), somada à preocupação italiana com o seu cárater “prazeroso” (o agradável, a natureza). Daí as palavras NEOCLASSICISMO e ARCADISMO (Arcádia: moradia dos deuses), mostrando os dois lados da literatura produzida ao longo do século XVIII. Analisando-se a contribuição lírica produzida, temos os mais famosos poetas árcades, os participantes da “Plêiade Mineira”: TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA e CLÁUDIO MANUEL DA COSTA. Ambos foram militantes da Inconfidência Mineira, ambos tiveram formação européia (Cláudio e Gonzaga cursaram Direito em Coimbra, exercendo advocacia em Vila Rica. Gonzaga, além de advogado, foi ouvidor e procurador na mesma cidade) e ambos obedeciam às convenções arcádicas em seus poemas, ao mesmo tempo em que as associavam ao Brasil.
Escrito por Leonardo Lopes às 11h24
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POESIAS. SONETO Destes penhascos fez a natureza O berço em que nasci: oh quem cuidara. Que entre penhas tão duras se criara Uma alma terna, um peito sem dureza. Amor, que vence os Tigres, por empresa Tomou logo render-me, ele declara Contra o meu coração guerra tão rara, Que não me foi bastante a fortaleza. Por mais que eu mesmo conhecesse o dano A que dava ocasião minha brandura, Nunca pode fugir ao cego engano: Vós, que ostentais a condição mais dura. Temei, penhas, temei; que Amor tirano, Onde há mais resistência, mais se apura. (Cláudio Manuel da Costa – Obras Poéticas) LIRA I Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, que viva de guardar alheio o gado, de tosco trado, d'expressões grosseiro, dos frios gelos e dos sóis queimado. Tenho próprio casal e nele assisto; dá-me vinho, legume, fruta, azeite; das brancas ovelinhas tiro o leite e as mais finas lãs, de que me visto. Graças, Marília bela. graças à minha estrela! Eu vi o meu semblante numa fonte: dos anos inda não está cortado; os pastores que habitam este monte respeitam o poder do meu cajado. Com tal destreza toco a sanfoninha, que inveja até me tem o próprio Alceste: ao som dela concerto a voz celeste, nem canto letra que não seja minha. Graças, Marília bela. graças à minha estrela! Mas tendo tantos dotes de ventura, só apreço lhe dou, gentil pastora, depois que o teu afeto me segura que queres do que tenho ser senhora. É bom, minha Marília, é bom ser dono de um rebanho, que cubra monte e prado; porém, gentil pastora, o teu agrado vale mais que um rebanho e mais que um trono. Graças, Marília bela. graças à minha estrela! Os teus olhos espalham a luz divina, a quem a luz do sol em vão se atreve; papoila ou rosa delicada e fina te cobre as faces, que são cor da neve. Os teus cabelos são uns fios d'ouro; teu lindocorpo bálsamos vapora. Ah! não, não fez o céu, gentil pastora, para glória de amor igual tesouro! Graças, Marília bela. graças à minha estrela!
(Tomás Antônio Gonzaga – Marília de Dirceu)
Escrito por Leonardo Lopes às 11h24
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ROMANTISMO
Romantismo: Paixão e Libertação Primeira metade do século XIX, momento histórico imediatamente posterior às duas Revoluções que legitimaram o poder burguês: Revolução Industrial e Revolução Francesa. Neste contexto de máquinas a vapor, de teares automáticos, de fábricas, de locomotivas; neste contexto fundamentado na crença na “capacidade individual do homem”, no seu talento para crescer e desenvolver numa sociedade cujos princípios básicos possam a ser as idéias de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, há também uma revolução artística. A esta revolução artística, de origem inglesa e alemã, chama-se ROMANTISMO. Em contraposição a ideologia burguesa, a arte romântica, em especial a literatura, acredita num outro tipo de liberdade: a liberdade da imaginação, da criação original, a liberdade de escrever emocionalmente sobre as emoções. Emoções que se diversificam conforme o estilo, o momento ou o autor, mas que não deixam de ser emoções. Emoções que ora se identificam ora se distanciam dos ideais burgueses ( o “nacionalismo” é um exemplo de identificação, e o “escapismo, a fuga da realidade” é um exemplo de distanciamento); mas que mantém uma postura radicalmente anti-burguesa no sentido em que se chocam com o seu “racionalismo”. “Inspirado nas idéias liberais, ardorosamente defendidas pela burguesia, o Romantismo constitui mais que um estilo literário. É, além disso, um estado de espírito, uma postura perante a vida que se expressa artisticamente a partir e através da palavra LIBERDADE. Liberdade de expressão artística, liberdade de manifestação da subjetividade e da emoção, explosão de um eu criaodr, sonhador, inconformista, libertação da imaginação criadora, restringida e cerceada por três séculos de subservivência, de obediência as normas clássicas: ROMANTISMO.”
Escrito por Leonardo Lopes às 11h13
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ROMANTISMO: PRIMEIRA GERAÇÃO
Poesia, Natureza e Pátria.
Esta geração é denominada “geração indianista” (1840-1850). Uma geração que assumiu, através da poesia, a tarefa histórica com a qual se identificaram muitos escritores românticos brasileiros: consolidar culturalmente a independência política do Brasil em relação a Portugal (1822). Criadas algumas condições indispensáveis ao progresso, às transformções sócio-econômicas que se iniciaram com a vinda da família real (1808), criou-se, também, a necessidade de reforçar a “consciência nacionalista”. Esta necessidade, que desencadearia o processo de substituição da mentalidade colonial para a mentalidade nacional – o Brasil como “sujeito” de sua própria cultura e não mais como “objeto” de uma cultura alheia, imposta – constitui um alicerce da produção literária de nossos primeiros poetas românticos. O maior representante da poesia patriótica, o maior criador de poemas indianistas, nacionalistas, e também de poemas líricos que constitui as primeiras manifestações de autenticidade, de expressividade romântica em toda a poesia brasileira, foi ANTÔNIO GONÇALVES DIAS, considerado por muitos críticos o mais brilhante poeta de nosso romantismo. CANÇÃO DO EXÍLIO Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar – sozinho à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá, Sem qu´inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. (Gonçalves Dias – Canção do exílio)
Escrito por Leonardo Lopes às 11h11
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ROMANTISMO: SEGUNDA GERAÇÃO
Poesia, Amor e Morte.
O individualismo, subjetivismo, egocentrismo, obsessão pela morte, dúvida, desilusão, cinismo, negativismo boêmio, satanismo, tédio, masoquismo, melancolia, morbidez saõ as palavras com as quais se procura “traduzir”, explicar, a segunda geração de nossa poesia romântica. Denominada byroniana, devido ao poeta romântico inglês Lord Byron, também costuma ser chamada de “mal do século”. No Brasil, as poesia representativas do “mal do século” forma publicadas principalmente entre 1850 e 1860, pode-se dizer que de todas as gerações existentes esta é que melhor retrata um “estado de espírito” muito marcante do ultra-romantismo europeu, especialmente alemão e inglês. Este “estado de espírito”, um estado de “spleen” (tédio, morbidez, depressão), talvez possa ser entendido como uma espécie de apoteose, de clímax, de auge da inadaptação do poeta romântico ao mundo burguês. Na medida em que vê desmonorarem os seus sonhos, na medida em que percebe as contradições entre o ideal e o real, entre o que se quer e o que se pode numa sociedade que não cumpre as suas promessas de liberdade, de igualdade e fraternidade, o “poeta ultra-romântico” assume uma postura radical, definitiva. Pode-se compreender em que sentido esta postura é ao mesmo tempo libertária e escravizadora, se realizar um confronto com o contexto que a gerou. Enquanto os homens buscam “um lugar ao sol”, muitas vezes iludidos quanto ás possibilidades concretas de atingi-lo, o poeta romântico afasta-se do “rebanho”, opta pela fantasia ao invés da realidade, entrega-se aos seus próprios fantasmas, oculta-se do mundo passando a ser ele mesmo o seu mundo. Esta atitude o liberta das amarras, dos condicionamentos, dos dilaceramentos decorrentes do tentar adaptar-se. Por outro lado, entretanto, esta mesma atitude o escraviza quando levado ao limite: à negação da vida segue-se o delírio da morte, ao excessivo ensimesmamento segu-se o egocentrismo, à nostalgia de um passado medieval, idealizado, mais nobre, menos embrutecedor, segue-se a fantasia deste passado, o seu culto, do qual resultam mais demônios do que anjos. O poeta, entâo, possuído por suas próprias idéias, torna-se “fantasma” ao invés de “eleito”, transforma-se em “suicida vitimado” pela necessidade de uma vida melhor, uma vida maior, que no entanto nâo consegue conquistar. O maior representante da segunda geração romântica, influenciado pelas obras de Byron, onde seus temas abrangem o amor e a morte sob uma perspectiva exacerbadamente egocêntrica e a sua prosa apresenta o noturno, o aventuresco, o macabro, o satânico, o incestuoso, os elementos do romantismo maldito; foi MANUEL ANTÔNIO ÁLVARES DE AZEVEDO. AMO A VOZ DA TEMPESTADE Amo a voz da tempestade, Porque agita o coração, E o espírito inflamado Abre as asas no trovão! A minh´alma se devora Na vida mrte e tranqüila... Quero sentir emoções, Ver o raio que vacila! Enquanto as raças medrosas Banham de prantos o chão, Eu quero ergue-me na treva, Saudar glorioso o trovão! Jeová! derrama em chuva Os Teus raios incendidos! Tua voz na tempestade Reboa nos meus ouvidos! É quando as nuvens ribombam E a selva medonha está, Que no relâmpago surge A face de Jeová! A tuba da tempestade Rouqueja nos longos céus, De joelhos na montanha Espero agora meu Deus! (Álvares de Azevedo - Amo a voz da tempestade)
Escrito por Leonardo Lopes às 09h40
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ROMANTISMO: TERCEIRA GERAÇÃO
Poesia, Paixão e Revolução. Enquanto a primeira geração da poesia romântica brasileira caraceterizou-se pela implantação no país recém independente de “idéias nacionalistas” e a segunda teve um caráter cosmopolita (ora uma cultura, ora outra), identificando-se com o “ultra-romantismo europeu” (no que diz respeito à inadaptação entre poesia e realidade), a terceira geração (1860), cujo maior representante foi CASTRO ALVES, procurou “transformar a realidade”, questioná-la em profundidade, de forma épica e condoreira. Condoreira e também hugoana, devido ao escritor romântico francês Victo Hugo, são os adjetivos para qualificar a poesia pujante, vigorosa, grandiloqüente, poesia social, revolucionária, nacionalista, inconformista e messiânica do poeta-vidente Castro Alves, o “poeta dos escravos”. O NAVIO NEGREIRO Existe um povo que a bandeira empresta Pra cobrir tanta infãmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia?!... Silêncio!... Musa! chora, chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto... Auriverde pendão da minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra, E as promessas divinas da esperança... Tu, que dá liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança, Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!... Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu na vaga, Como um íris no pélogo profundo!... ...Más é infâmia de mais... Da estérea plaga levantai-vos, heróis do novo Mundo... Andrada! arranca este pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares! (Castro Alves – O navio negreiro)
Escrito por Leonardo Lopes às 09h30
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REALISMO
Enquanto na primeira metade do século XIX a idéia de liberdade gerada pela Revolução Francesa significou um suporte de grande valia para que se desencadeasse uma revolução literária a que chamamos de Romantismo – a literatura como expressão do eu, da subjetividade, do sentimento, da imaginação criadora, do sonho e da fantasia – , na Segunda metade deste mesmo século houve uma espécia de “crise”, de cansaço, em relação às posturas românticas. Em grande parte, os motivos literários de tal crise estão ligados ao desgosto, à saturação dos caminhos encontrados pelo estilo romântico. Devido às repetições, o que era “Novo” vai se transformando em rotina, vai adquirindo “vícios” e se tornando “Velho”, vai morrendo enfim e, conseqüentemente, surge a necessidade de revitalização, de mudanças significativas que recuperem a capacidade de causar impacto, de encantar e de surpreender, que caracterizam a obra de arte. É a passagem do Romantismo ao Realismo. O REALISMO, enquanto estilo literário da segunda metade do século XIX, caracteriza-se pela análise da sociedade e pelo propósito de transformá-la. A palavra análise, implica numa postura racional, reflexiva, objetiva. Uma postura, portanto, que se opõe ao subjetivismo romântico e também ao escapismo especialmente detectado na poesia de Álvares de Azevedo. Ao invés de fugir da realidade, de construir um mundo ideal, e desejar a morte como solução, à moda dos ultra-românticos, os escritores realistas pretendem analisar e criticar a realidade, compreender suas contradições com a finalidade de interferir nela, de modificá-la. Nesse sentido, há uma oposição radical entre as posturas românticas e realistas em relação à realidade, entendendo-se Romantismo e Realismo como estilos literários, isto é, não com tendências possíveis em textos literários. O principal escritor de romances realistas foi MACHADO DE ASSIS, considerado, praticamente por unanimidade, como o maior escritor em prosa da literatura brasileira. Autor extremamente original e inventivo: iniciou o Realismo, em 1881, com o romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, e, ao mesmo tempo, já realiza a sua superação, num salto mortal para a modernidade, de que é um antecipador, em vários aspectos: a crítica da linguagem e da estrutura tradicional da narrativa; os microcapítulos e o enredo não-linear, descontínuo; a constante metalinguagem, questionando o próprio fazer do livro; o estilo substantivo, anti-retórico; a análise psicológica que vai além dos limites da consciência da personagem; o humor sutil e permanente, destruindo as ilusões e os modos românticos; a visão aguda e profundamente relativista, com a linguagem sutil, ambígua, de múltiplos sentidos, etc. MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (fragmento) Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: fiferença radical entre este livro e o Pentateuco. (...) começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse ; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é efadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmugam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... (...) Entre a morte de Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O rpincipal deles foi a invenção do “emplasto Brás Cubas”, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei.(...) Não alcancei a celebridade do emplastro, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento.(...) ao chegar a este outro lado do mistério, acheime com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: – Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. (Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Escrito por Leonardo Lopes às 09h27
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NATURALISMO
Enquanto o Realismo prefere uma investigação psicológica das personagens, vendo-as “de dentro para fora”, o NATURALISMO privilegia o seu estudo “de fora para dentro”, isto é, dos fatores que condicionam os comportamentos à narração dos comportamentos como forma de conhecer-se as personagens. Enquanto o realismo enfatiza as relações entre o homem e a sociedade burguesa, mostrando suas principais contradições e atacando suas principais instituições, o Naturalismo ressalta as relações entre o homem e as leis naturais de que é considerado um produto. Ao passo que o Realismo pretende assumir uma imparcialidade objetiva e racional perante os assuntos de que trata, deixando ao leitor um espaço para que tire suas próprias conclusões, o Naturalismo tende a anular este espaço na medida em que busca uma explicação materialista para os fenômenos sociais, reduzidos a seus fatores biológicos. É importante salientar, assim como o Realismo, o engajamento, isto é, o compromisso revolucionário dos escritores naturalistas em relação à sociedade burguesa: ora verificando-lhe os “vícios”, os “defeitos”, as “taras”, ora “demolindo” seus mais importantes fundamentos e instituições – o clero, o casamento, o trabalho como forma de “vencer na vida” – , este estilo literário prefere falar dos “vencidos” ao invés dos “vencedores”. Os operários, as prostitutas, os representantes anônimos da “classe média”, todos aqueles, enfim, que denunciam e anunciam a necessidade de um novo sistema social. Portanto, a ênfase no homem natural, ou seja, no homem entendido como produto de leis naturais – especialmente biológicas – é a principal característica do Naturalismo, onde seu principal escritor foi ALUÍSIO AZEVEDO, com obras como: “O cortiço” e “O mulato” O CORTIÇO (fragmento) “Estalagem de São Romão. Alugam-se casinhas e tinas para lavadeiras.” As casinhas eram alugadas por mês e as tinas por dia: tudo pago adiantado. O preço de cada tina, metendo a água, quinhentos réis, sabão à parte. Ao moradores do cortiço tinham preferência e não pagavam nada para lavar (...) E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia, agitada e barulhenta, com as suas cercas de varas, as suas hortaliças verdejantes e os seus jardinzinhos de três e quatro palmos, que apareciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o revérbero das barracas de algodão cru, armadas sobre os lustrosos bancos de lavar. E os gotejantes jiraus, coberto de roupa molhada, cintilavam ao sol, que nem lagos de metal branco. E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco. (Aluísio Azevedo – O Cortiço) O MULATO (fragmento) Ao ver num livro de medicina um desenho revelador das relações amorosas observou-o com profunda atenção, enquanto dentro dela se tratava a batalha dos desejos. Todo o ser se lhe revolucionou; o sangue gritava-lhe, reclamando o pão do amor; seu organismo protestava contra a ociosidade. E ela então sentiu bem nítida a responsabilidade dos seus deveres de mulher perante a natureza, compreendeu o seu destino de ternura e de sacrifícios, percebeu que viera ao mundo para ser mãe; conclui que a própria vida lhe impunha, como lei indefectível, a missão sagrada de procriar muitos filhos, sãos, bonitos, alimentados com seu leite, que seria bom e abundante... (Aluísio Azevedo – O Mulato)
Escrito por Leonardo Lopes às 09h26
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PARNASIANISMO
O PARNASIANISMO (A Arte pela Arte) floresceu no Brasil a partir de 1880, constituindo uma “tendência acadêmica ou academicista, ligada ao processo de consolidação da vida literária brasileira”. Nesta mesma época, a oficialização do escritor foi fortalecida por uma geração de intelectuais influenciados por filosofias de cunho materialista. Quando se refere a uma “literatura academicista”, na verdade isto quer dizer uma literatura “oficial”, comprometida com a ordem vigente. Assim foi o movimento parnasiano, um movimento que tem em comum com o Realismo-Naturalismo unicamente a preocupação formal. Centralizado na poesia, influenciou, entretanto, alguns prosadores, como por exemplo Coelho Neto. OLAVO BILAC, principal representante da poesia parnasiana brasileira, mostra, como se deve escrever um poema parnasiano e como se deve colocar diante do texto o poeta: primeiro, o caráter racionalista do ato de criar, a preocupação com as minúcias, os detalhes, a perfeição enfim, dentro dos pressupostos da tradição clássica, segundo a qual arte é mimese, imitação. A obsessão pela forma constitui, portanto, o principal traço do Parnasianismo, por isso chamado de “arte pela arte”. Em segundo lugar, há a posição do poeta como um artesão. Polir, aperfeiçoar, “limar” o verso de modo a torná-lo “claro como o cristal” e perfeito “como a pedra do ourives”, transformam, enfim, a poesia num produto de precisão técnica e o poeta no técnico que a executa. “Em linhas gerais, são estas as preocupações básicas da poesia parnasiana: uma poesia que ao desprezar o assunto em prol da forma, ao separar sujeito e objeto, assume um objetivismo sem precedentes em toda a história da literatura e assim aliena-se da vida, encastela-se no mundo clássico que pretende imitar, fazendo do academicismo elitista, e portanto conservador, o seu principal atributo, a sua principal aliança com o racionalismo burguês, tão criticados pelos poetas modernistas”. (...) Invejo o ourives quando escrevo: Imito o amor Com que ele, em ouro, o alto relevo Faz de uma flor. Imito-o. e, pois, nem de Carrara A pedra firo: O alvo cristal, a pedra rara, O ônix prefiro. Por isso, corre, por servir-me, Sobre o papel A pena, como em prata firme Corre o cinzel. (...) Torce, aprimora, alteia, lima A frase; e, enfim, No verso de ouro engasta a rima, Como um rubim. Quero que a estrofe cristalina, Dobrada ao jeito Do ourives, saia da oficina Sem um defeito. (...) (Olavo Bilac – Profissão de Fé)
Escrito por Leonardo Lopes às 09h23
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SIMBOLISMO
Em contraposição ao Parnasianismo, O SIMBOLISMO procura reatar as relações entre vida e poesia, sujeito e objeto. E o faz elaborando textos que não desdenham a preocupação formal e a precisão vocabular parnasianas, mas que ambas acrescentam a negação da postura racional, objetiva, substituída pelo desejo de transcendência, pela busca de completude espiritual só vislumbrada num mundo metafísico, místico, inconsciente. As palavras, então, não precisam ter significados exatos neste tipo de poesia. Ao invés disso, elas constituem “símbolos”, imagens sensoriais, especialmente auditivas, musicais, que, combinadas com imagens visuais, olfativas, expressam a tentativa de unir um só, todos os sentidos, e de, através deles, penetrar na essência de nossa humanidade, de nossa alma violentada por um racionalismo, um objetivismo que oprime, muitas vezes sem se perceber. Trata-se, na verdade, de um apelo ao inconsciente, às camadas mais profundas da mente humana – do “eu profundo” – com a finalidade de resgatar o homem do materialismo desenfreado em que vive. Neste sentido a poesia simbolista anuncia a decadência, a falência dos valores burgueses e a busca de novas realidades, invisíveis e interiores, que vão configurar, dentre outros elementos, a Modernidade. Ó formas alvas, brancas, Formas claras de luares; de neves, de neblinas!... Ó formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras... Formas do Amor, constelarmente puras, de Virgens e de Santas vaporosas... Brilhos errantes, mádidas frescuras e dolência de lírios e de rosas... Indefiníveis músicas supremas, harmonias da Cor e do Perfume... Horas do Ocaso, trêmulas, extremas, Réquiem do Sol que a Dor da luz resume... Visões, salmos e cânticos serenos, surdinas de órgãos flébeis, soluçantes... Dormências de volúpicos venenos sutis e suaves, mórbidos, radiantes... Infinitos espíritos dispersos, inefáveis, edênicos, aéreos, fecundai o Mistério destes versos com a chama ideal de todos os mistérios. (...) (Cruz e Sousa – Antífona)
Escrito por Leonardo Lopes às 09h18
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BIOGRAFIA DE GRANDES AUTORES
GREGÓRIO DE MATOS Nasce na Bahia, em 1636, sendo filho de família abastada. Estuda com os jesuítas em Salvador. Aos 14 anos, vai estudar em Portugal. Forma-se em Direito na Universidade de Coimbra. Casa-se, torna-se juíz, mora na metrópole até 1681. Viúvo, volta ao Brasil. Em Salvador, sobrevive precariamente: advogado ser recursos, boêmio inveterado, satírico arrasador. Exilado para Angola, volta ao Brasil em 1695, para o Recife. Morre em 1696. Durante sua vida, sua obra permanece inédita. PADRE ANTÔNIO VIEIRA NASCE EM Lisboa, 1608. Menino, vem com os pais para Bahia. Estuda no colégio dos jesuítas. Ordena-se em 1634. Com a restauração portuguesa, depois de 60 anos de domínio espanhol, muda-se para Portugal. Suas idéias messiânicas, impregnadas de sebastianismo, sobre um Império Português e católico – o Quinto Império – de ascendência sobre o mundo, entram em choque com a realidade da corte lusitana e com o momento histórico de Portugal, que caminhava para a decadência. Vieira também entra em choque com a Inquisição, por causa dos cristãos-novos: fica preso por dois anos e tem cassado o direito de pregar. Voltando ao Brasil para o Maranhão, entra em choque com os colonos, por fazer a defesa dos nativos e também dos escravos negros. Morre em 1697, aos 89 anos. CLÁUDIO MANUEL DA COSTA O primeiro e mais acabado poeta neoclássico, nasceu em Vargem de Itacolomi, Minas Gerais, em 1729. Filho de pai português que se dedicava à mineração. Estudou no Rio de Janeiro no colégio dos jesuítas e depois se formou em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Terminado o curso voltou para o Brasil. Exerceu cargos na administração pública em Vila Rica. Grande defensor de Pombal, participou da Inconfidência Mineira. Preso e interrogado foi encontrado morto no cárcere, em 1789. Suas obras compreendem sonatas, cantatas, éclogas, epístolas e o poema épico “Vila Rica” no qual o poeta rematiza a descoberta das minas e fatos marcantes da história da cidade. TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA Nasceu no Porto, 1744. Filho e neto de magistrados brasileiros, passa a infância no Brasil. Estuda com os jesuítas na Bahia. Forma-se em Direito na Universidade de Coimbra, em 1768. Juiz em beja, por alguns anos, vem para o Brasil, em 1782, como ouvidor de Vila Rica. Namora com Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, a Marília. Preso em 1789, acusado de participar da conjuração mineira. Nega sua participação na Inconfidência, escreve contra Tiradentes. Degredado para Angola onde ocupa alta posição administrativa. Casa-se com a filha de um riquíssimo comerciante de escravos. Morre em 1810. Suas principais obras foram Marília de Dirceu e Cartas Chilenas. ANTÔNIO GONÇALVES DIAS Nasce em Caxias, Maranhão, em 1823. Estuda em São Luís. Faz Direito na Universidade de Coimbra. Volta ao Brasil em 1845. Em São Luís fracassa o relacionamento amoroso com Ana Amélia, a que dedica o poema “Ainda uma vez... Adeus!” por pressão da família dela, porque o poeta era filho de pai português e de mãe mestiça. Trabalha em missões do governo brasileiro, em nosso território e no europeu. Tuberculoso, volta à Europa (1862 a 1864). Retornado ao Brasil, morre na costa do Maranhão, no naufrágio do navia em que viaja, em 1864. Suas principais obras foram: Primeiros cantos, Segundos cantos, Sextilhas de Frei Antão, Últimos cantos e Os Timbiras (inacabado). MANUEL ANTÔNIO ÁLVARES DE AZEVEDO Nasce em São Paulo, em 1831. Estuda primeiramente no Rio de Janeiro, no Colégio Pedro II e depois em São Paulo, onde cursa Direito no largo São Francisco, sem conseguir concluir o curso, por morrer aos vinte e um anos, em 1852. Leitor intenso e contínuo, de autores antigos e modernos. Imaginação febril, sensibilidade exarcebada até o doentio, o depressivo. Viveu ao extremo o conflito romântico entre o real e o imaginado. Sua principais obras foram: Lira dos vinte anos (poesias), Noite na taverna (livro de contos) e Mácario (peça teatral). ANTÔNIO FREDERICO DE CASTRO ALVES Nasce na Bahia, em 1847. Estuda em Salvador, no Ginásio Baiano. Cursa Direito na Faculdade do Recife e depois em São Paulo, no largo São Francisco. Dedica-se a experiências amorosas e às lutas políticas e sociais. Junto da atriz portuguesa Eugênia Câmara, a “Dama Negra” de muitos poemas líricos, encena em vários lugares sua peça “Gonzaga, ou a Revolução de Minas”. Participa de muitos comícios e manifestações abolicionistas. Separado de Eugênia, amputa o pé esquerdo que foi ferido acidentalmente. Volta a tuberculose, que contraíra ainda adolescente. Participa de mais campanhas contra a escravidão. Morre em Salvador, aos 24 anos, em 1871. Suas principais obras foram: Espumas Flutuantes, Gonzaga ou a Revolução de Minas, A Cachoeira de Paulo Afonso e Os Escravos. JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS Nasce no Rio de Janeiro, em 1839, no Morro do Livramento. Filho de pai muito pobre (pintor) e de mãe lavadeira. Órfão muito cedo. Pobre, mulato, tímido, gago, epilético, consegue sobreviver e fazer carreira de funcionário público e escritor. Autodidata, conquista vasta cultura literária. Aos 16 anos, trabalha na Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo. Trabalha em jornais. Aos 30 anos, casa-se com Carolina Xavier de Novais. Ascende na carreira burocrática. Vida social e cultura ativa. Um dos fundadores e o primeiro presidente de Academia Brasileira de Letras. Morre aos 69 anos, também no Rio, em 1908. Suas principais obras foram: “Poesias”: Crisálidas; Falenas; Americana. Poesias Completas. “Romances”: Ressurreição; A Mão e a Luva; Helena; Iaiá Garcia; Memórias Póstumas de Brás Cubas; Quincas Borba; Dom Casmurro; Esaú e Jacó; Memorial de Aires. “Contos”: Contos Fluminenses; Hostórias da Meia Noite; Papéis Avulsos; Histórias sem Data; Várias Histórias; Páginas Recolhidas; Relíquias da Casa Velha. “Teatro”: Queda que as Mulheres têm pelos Tolos; Desencanto; Quase Ministro; Os Deuses de Casaca; Tu, só Tu, Puro Amor. OLAVO BILAC O mais popular dos poetas parnasianos brasileiros, combina os princípios deste estilo com um sentimento romântico (Abre a janela... acorda!/ Que eu, só por te acordar,/ Vou pulsando a guitarra, corda a corda,/ Ao luar!/ As estrelas surgiram/ Todas: e o limpo véu/ Como lírios albíssimos, cobriram/ Do céu/ De todas as mais belas/ Não veio inda, porém:/ Falta uma estrela... É tu! Abre a janela./ e vem! – A Canção de Romeu). Suas principais obras: Poesias (1888), divididas em três partes: Panóplias, Via Láctea, Sarças de Fogo. Considera-se esta obra a inauguração oficial do Parnasianismo no Brasil. CRUZ E SOUSA O “Cisne Negro” da literatura brasileira; costuma-se dizer que procurou fugir ao preconceito social através da espiritualidade poética. No entanto, questionou este e outros problemas sociais em sua participação política, sendo o nosso melhor e mais completo poeta simbolista (Brancuras imortais da Lua Nova/ frios de nostalgia e sonolência.../ Sonhos brancos da Lua e viva essência/ dos fantasmas noctívagos da cova. – Flores da Lua). Suas principais obras: Missal (poemas em prosa), Broquéis, Tropos e Fantasias, Faróis, Últimos Sonetos.
Escrito por leonardo.lopes às 09h03
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